Tuesday, November 1, 2011

Jeffrén - Componente física e psicológica


No passado domingo Jeffrén abandonou o relvado aos 85 minutos (após ter entrado na 2ª parte para substituir Capel aos 65 minutos), saiu de forma discreta deixando estupefactos adeptos, comentadores desportivos e a própria equipa técnica. De forma, também ela discreta, Domingos Paciência quando questionado pela Sportv sobre este facto disse: "Jeffren está a atravessar uma fase difícil. Entrega-se demasiado ao jogo e hoje sentiu que o músculo estava a prender. Já numa fase de desespero, acabou por ficar ansioso". O historial de lesões de Jeffrén (num total de 9 lesões em 22 meses) pode ser lido aqui: Jornal i Vamos voltar ao que disse Domingos Paciência, e juntando as declarações do psicólogo Jorge Silvério, às da mãe do jogador, e do seleccionador espanhol de Sub-21 Luis Milla (ver aqui), podemos verificar a existência de uma ligação entre os problemas físicos e os problemas emocionais de Jeffrén. Alguns meios de comunicação social falam que Jeffren teve um ataque de pânico. Eu decidi falar-vos um pouco da relação física e emocional das lesões nos atletas de alta competição (o caso de Jeffrén).

As lesões desportivas para além das implicações físicas têm também implicações emocionais no atleta. É interessante constatar na literatura que indivíduos que pensam demasiado sobre uma possível lesão criam mais expectativas relativamente às situações, podendo com isso criar stress e diminuir a resistência face às lesões.

Uma lesão cria vários sentimentos num atleta, este vai ter de se separar dos seus colegas de equipa, afastar-se dos treinos, da competição, e vai conduzir a
consequências negativas que afectam o bem-estar psicológico do mesmo, este pode começar a demonstrar sintomas de depressão, medo, frustração e desespero, e alguns atletas podem nem aderir bem ao plano de tratamento da lesão. Uma intervenção psicológica durante a reabilitação do atleta torna o processo mais eficaz, mas o que acontece em Portugal é que um treinador não tem acesso a este tipo de intervenções por parte de um técnico especializado (fonte de 2004 que indicava que, nesta data, apenas 5 em 84 fisioterapeutas que trabalham com atletas têm a possibilidade de se apoiar num psicólogo do desporto). Um facto é que as intervenções da Psicologia do Desporto reduzem a taxa do acontecimento da lesão e tornam mais eficazes as reabilitações, pois a intervenção psicológica após a lesão tem uma influência positiva na recuperação do atleta, nas estratégias de coping, na devolução da sua confiança e no humor durante todo o processo de restabelecimento. O papel da Psicologia é fulcral. E a escassez de estudos em português sobre este tópico indica que a maioria dos atletas que jogam em Portugal, não terão apoio psicológico de um profissional durante a sua actuação desportiva.

Ao Jeffrén desejo as melhoras mas de forma completa, tanto a nível físico, como principalmente a nível psicológico, porque para ser eficaz uma terá de completar a outra.


Fonte: Psicologia.pt

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