Texto de Pedro Santos actualmente a viver no Brasil.
«Lembro-me como se fosse ontem, carregado pela mão do meu vizinho seguia Domingo sim Domingo não para o velhinho Alvalade, os jogos eram as 16h00min, mas nós chegávamos por volta da uma da tarde , passávamos pela Nave e víamos as modalidades , fossem elas quais fossem , lá aprendi o que era Andebol , Basquetebol , Voleibol e Hóquei em Patins ,aprendi o quanto o Sporting era grandioso, olhava para os troféus que me iam explicando e cada vez mais o amor cego pelo clube de Jose Alvalade ia aumentando ,depois íamos até ao campo de terra de batida onde normalmente víamos os mais pequenos (como eu ) a jogarem , algumas vezes também tínhamos mulheres a correr atrás de uma bola e suarem a camisola verde e branca , com o leão cravado no peito , no campo de treinos relvado jogavam os juniores , os futuros craques leoninos apoiados desde cedo pela massa associativa e adepta do Sporting Clube de Portugal.
Depois entre uma fartura ou umas queijadas de Sintra, aguardávamos a hora de começar a partida, carregava com orgulho o cachecol e a bandeira (o sonho de ter uma camisola oficial ainda ia durar anos a ser concretizado) que o dinheiro que vizinho ajudou a completar dera para eu comprar á porta da mítica 10-A, gostava de ficar ali a ver os meus ídolos chegarem, Douglas, Gomes , Venâncio , Careca , Ivkovic , Cascavel ,entre os demais , ao vê-los passar para lá das grades de ferro , sonhava ser como eles , prometia a mim mesmo ,que se chegasse ao estatuto deles jamais sairia do Sporting , nem que fosse para o Real Madrid, Barcelona ou Milão, aquela porta era mágica , ali eles entravam de calças jeans como o meu amigo ,óculos escuros e passado uma hora estavam trajados a rigor com o equipamento mais bonito que este mundo já conheceu e assim faziam vibrar milhares que aguardavam por eles nas bancadas .
Lembro-me das filas enormes para entrar no estádio, do cheiro a castanhas assadas e dos vendedores de almofadas, lembro-me de ver senhoras sentadas nos carros sozinhas a fazer tricô enquanto os maridos na roulote lanchavam um courato e penalty de tinto e debatiam-se de como haveria de ser o jogo.
Por cima da Nave ficavam as claques Juventude Leonina e Torcida Verde, exponham o material para venda e tentavam novos associados, eles de cabelos desgrenhados com cara de poucos amigos qual musico de banda Pop e elas que se desdobravam em acompanhar o Sporting talvez em busca do casamento de sonho, pois todas tinham o seu preferido e não se coibiam de mostrar.
Fazia frio no velhinho Alvalade, mas o pior mesmo era quando chovia, os que tinham sorte iam para debaixo da pala (a tal pala que estava prometida de cair e que ficou até ao ultimo dia ), os outros aguardavam a chuva , então o verde dos cachecóis,bandeiras e camisolas dava lugar a um arco-íris de chapéus de chuva.
Já na bancada de pedra do nosso Alvalade, sentava-me, aguardava e desesperava pela hora do jogo começar, ouvia aqui e ali uma corneta de ar comprimido enquanto no som do estádio tocava U2, Nirvana e sempre a marcha do Sporting , as bandeiras grandes das claques davam uma cor diferente , queria muito estar ao junto a eles mas não me deixavam , entravam os craques para o aquecimento e a primeira ovação a seguir entravam o adversário e um coro de assobios, por fim o arbitro que era sempre o mais assobiado , depois do recolher ainda dava uma vista de olhos pelo jornal desportivo para confirmar de a equipa era a que tinha escalado antes.
Chegava a hora do jogo entrava primeiro o arbitro e o adversário debaixo de um coro de vaias e em passo apressado e por fim os nossos, com as mãos acima da nuca agradeciam os gritos de incentivo e as palmas dos milhares que ali estavam.
Nos anos noventa fui varias vezes a Alvalade, incentivado pela minha mãe, aguardava ansiosamente a manha de domingo até o vizinho chegar para me levar, prendia o cachecol no vidro de umas das janelas do carro e na outra agarrava com toda a força a bandeira do meu querido Sporting.
Todas as segundas feiras os colegas da escola e vizinhos enchiam-me a paciência por ser do Sporting, dava um livro as anedotas que se contavam naquela altura sobre o nosso clube, mas jamais por um segundo eu tive vergonha de ser do Sporting Clube de Portugal.
Perguntavam-me quantas vezes já tinha visto o Sporting campeão ou mesmo ganhar o que quer que seja.
Para mim isso não era importante pois sabia da nossa história e sabia o que era realmente o nosso clube.
Hoje as coisas são diferentes as bancadas já não são de pedra e ninguém apanha chuva , trocaram-se os couratos pelos Mac Donald´s e todos tem uma camisola do Sporting para levar ao estádio.
A maior parte dos miúdos já viu o Sporting ganhar, já viram o Sporting na Liga dos Campeões e numa final europeia.
Por isso reclamam porque em 3 ou 4 anos não ganhamos nada , eu esperei de treze para ver uma taça de Portugal e dezoito pelo tão esperado campeonato , os miúdos acham se no direito de fazer manifestações a porta do estádio para denegrir um clube com 106 anos de história , fazem revoluções pela internet através de blogs e facebook, como quais capitães de Abril fossem a salvação do Sporting .
Esses miúdos que vivem o Sporting diariamente, através de jornais, TV e internet sabem tudo do Sporting, apostam em treinadores e jogadores para o clube, despedem direções e ofendem outros sportinguistas com comentários maldosos e ameaçadores , são tal como eu grandes sportinguistas , que vibram com as vitórias e choram com as derrotas
Mas sinceramente será que eles já viram a grandeza do Sporting Clube de Portugal?
CC - 07/11/2012
SPORTING SEMPRE!








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